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Arquivo da categoria: Fragmentos

Fragmentos.

Fragmentos 26, 27, 28, 29, 30, 31, 32, 33, 34 e 35



Ela concordou, e eu voltei lá – a partir dessa hora, o sol, a lua, as estrelas seguem suas tragetórias, sem que eu perceba se é dia ou noite, e o mundo inteiro deixou de existir para mim. (…) É verdade, meu caro amigo, que a cada dia percebo mais nitidamente quão insensato é julgar os outros a partir de nós mesmos. (…) Ah, o que sei, todos podem saber – meu coração, porém, somente a mim pertence. (…) Rio-me do meu coração – e faço o que ele manda. (…) Muitas vezes gostaria de rasgar o peito e rebentar o crânio, quando penso quão pouco significamos uns para os outros. Ah, ninguém me poderá dar o amor, a alegria, o calor e o prazer, se tudo isso não estiver dentro de mim mesmo, e com um coração repleto de felicidade não poderei fazer feliz a outrem, se ele permanecer frio e sem forças diante de mim. (…) Sou tão afortunado, e o sentimento por ela absorve tudo; sou tão afortunado, e sem ela tudo se transforma em nada. (…) Será que, antes de mim, terá havido algum homem tão infeliz quanto eu? (…) Não me sinto bem em parte alguma, e sinto-me bem em toda parte. (…) Cavai a sepultura, oh, amigos dos mortos, mas não a fecheis até que eu chegue. Minha vida se esvai como um sonho; como haveria de ficar para trás? (…) E tu, oh, lua, caminha por entre nuvens dilaceradas, mostra de quando em quando teu pálido semblante!

Os sofrimentos do jovem Werther – Johann Wolfgang von Goethe

 
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Publicado por em setembro 3, 2011 em Fragmentos

 

Fragmento 25


Mas, naquele ano, em que eu estava com dezesseis anos, chegou uma trupe de atores italianos com uma carroça pintada em cuja traseira montaram o palco mais elaborado que eu já havia visto. Encenaram a velha comédia italiana com Pantaleão e Polichinelo, e os amantes Lelio e Isabella, o velho médico e todas as velhas tramas.

Eu assistia a tudo enlevado. Nunca havia visto nada como aquilo, com aquele talento, vivacidade e vitalidade. Eu adorava mesmo quando as falas eram tão rápidas que não se podiam acompanhar.

Quando a trupe terminou e recolheu o que pôde da multidão, vagabundeei com eles pela estalagem e ofereci a todos o vinho que não tinha dinheiro para pagar, só para poder conversar com eles.

Sentia um amor indizível por aqueles homens e mulheres. Eles me explicaram que cada ator tinha seu papel por toda a vida, e que não decoravam falas, pois improvisavam tudo no palco. Você sabia o seu nome, conhecia o personagem, interpretava-o e o fazia agir e falar como pensava que ele devia fazer. Aí estava a genialidade.

Era a chamada de commedia dell’arte.

O Vampiro Lestat – Anne Rice

 
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Publicado por em agosto 19, 2011 em Fragmentos

 

Fragmento 24


Para você, meu coração… arrancado do meu peito. Destripada, eu estou. E, se eu pudesse, enfiaria meus dedos em meu tórax, arrancaria meu coração e o daria a você. Uma massa polposa de diátese mórbida. Junto ao meu coração, há outros órgãos que eu quero lhe oferecer: glândulas, pâncreas, carnes variadas. Estou oferecendo estes presentes. Eu sei que eles não valem tanto quanto o que você me deu. Ouvi dizer que esses órgãos não conseguem sobreviver fora do corpo por mais que poucas horas. Mas eu tentarei chegar aí o mais rápido possível. Aconteça o que acontecer, estará em mim. No meu coração.

Jenny Schecter

 
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Publicado por em maio 14, 2011 em Fragmentos

 

Fragmento 23


A beleza de Lady Mary não era convencional. O gosto da época enaltecia mulheres bem fornidas como sofá, recheadas e curvilíneas, enquanto Lady Mary lembrava um passarinho selvagem ou um filhote de animal – delgada, de ossatura leve, cor da pele da mãe, quente e corada, e olhos largos e acinzentados do pai. Era pura delicadeza e fogo tímido; e descobriu cedo que sua beleza era uma maldição.

Desconcertava as pessoas. Mesmo os maiores galãs, os jovens mais cobiçados da cidade, ficavam pouco à vontade na presença dela, encabulados, bobos e mudos. Ainda na sua adolescência, ela intuíra que sua beleza, ao invés de atrair o amor, o repelia, por ser bonita demais. Sombras de tragédia já encobriam os olhos enevoados; e seu noivado era apenas parte do motivo.

Sally e a Sombra do Norte – Philip Pullman

 
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Publicado por em maio 2, 2011 em Fragmentos

 

Fragmento 22


É assim que o amor deveria ser: divertido, e cheio de paixão, e provocante, e perigoso também, com inteligência aguçada. Eles eram iguais, esses dois – tigres, da cabeça aos pés. Juntos, poderiam fazer qualquer coisa. Por que tinham que brigar?

Sally e a Sombra do Norte – Philip Pullman

 
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Publicado por em maio 2, 2011 em Fragmentos

 

Fragmento 21


Ora, o modelo que conhecemos de um órgão dolorosamente sensível, de algum modo alterado, e todavia não doente no sentido habitual, é o órgão genital em estado de excitação. Ele fica irrigado de sangue, intumescido, umedecido e se torna o centro de múltiplas sensações.

Introdução ao narcisismo – Sigmund Freud

 
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Publicado por em dezembro 11, 2010 em Fragmentos

 

Fragmento 20


Um forte egoísmo protege contra o adoecimento, mas afinal é preciso começar a amar, para não adoecer, e é inevitável adoecer, quando, devido à frustração, não se pode amar.

Introdução ao narcisismo – Sigmund Freud

 
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Publicado por em dezembro 11, 2010 em Fragmentos

 

Fragmento 19


Refletem a época com o cinismo que não pode compreender a morte das possibilidades, fátua indulgência sofisticada da paródia do milagroso, decadência cujo último refúgio é o autoescárnio, um desamparo bem-educado. Viu-os. Conheceu-os avida toda. Você reflete sua época de outro modo. Reflete seu coração partido.

Entrevista com o vampiro – Anne Rice

 
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Publicado por em novembro 22, 2010 em Fragmentos

 
 
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