Ela concordou, e eu voltei lá – a partir dessa hora, o sol, a lua, as estrelas seguem suas tragetórias, sem que eu perceba se é dia ou noite, e o mundo inteiro deixou de existir para mim. (…) É verdade, meu caro amigo, que a cada dia percebo mais nitidamente quão insensato é julgar os outros a partir de nós mesmos. (…) Ah, o que sei, todos podem saber – meu coração, porém, somente a mim pertence. (…) Rio-me do meu coração – e faço o que ele manda. (…) Muitas vezes gostaria de rasgar o peito e rebentar o crânio, quando penso quão pouco significamos uns para os outros. Ah, ninguém me poderá dar o amor, a alegria, o calor e o prazer, se tudo isso não estiver dentro de mim mesmo, e com um coração repleto de felicidade não poderei fazer feliz a outrem, se ele permanecer frio e sem forças diante de mim. (…) Sou tão afortunado, e o sentimento por ela absorve tudo; sou tão afortunado, e sem ela tudo se transforma em nada. (…) Será que, antes de mim, terá havido algum homem tão infeliz quanto eu? (…) Não me sinto bem em parte alguma, e sinto-me bem em toda parte. (…) Cavai a sepultura, oh, amigos dos mortos, mas não a fecheis até que eu chegue. Minha vida se esvai como um sonho; como haveria de ficar para trás? (…) E tu, oh, lua, caminha por entre nuvens dilaceradas, mostra de quando em quando teu pálido semblante!
Os sofrimentos do jovem Werther – Johann Wolfgang von Goethe