May we meet again


E no segundo seguinte ela não pode mais seguir em frente.

Ela olha para trás tentando conter as lágrimas que forçam a descida, aperta os olhos numa tentativa falha de repelir o inevitável e, então, já extremamente cansada dessa batalha interna interminável, curva-se ao vento.

Imensurável é o tempo que decorre enquanto anda e faz o caminho de volta – outrora tantas vezes percorrido sob outras circunstâncias e na presença de mais alguém -, mas já não importa mais quanto tempo se passou ou quanto tempo se passa; o que importa é que as cores da cidade todas mudam e mudam e se camuflam em infinitos tons de verde-escuro, marrom, cinza, azul, amarelo, até que – finalmente! – culminam numa indescritível cor que se faz perceber nas lágrimas silenciosas que ainda escorrem de seus olhos.

É engraçado como a saudade se faz perceber até mesmo num pedaço qualquer de céu visto pela janela.

Entre borboletas (1)


No andar desconsertado deles dois havia a sensação autêntica da mais pura alegria, dos carrosséis que, em cascatas coloridas, sobem aos seus e deságuam elegantemente como num sonho entre feixes de luz e, sem nem sequer uma palavra, os dois sabem (e tem certeza que o outro também sabe) que os sentimentos provocados pelo aleatório encostar das mãos, as gargalhadas arrancadas pelos mais tolos gestos, os olhares inocentes que permanecem até que os cílios se encontrem num piscar de olhos que tentava ser adiado… Que tudo isso, tudo isso, é pra sempre. E que pra sempre não está distante. Que pra sempre nunca esteve mais perto. Que eles dois não precisam temer o mundo nem os dragões nem as luzes se apagando na noite escura, porque, quando no mais pequeno movimento, resolverem olhar para os seus, vão saber que continua o mesmo. Que nada mudou. E que isso é pra sempre. Porque eles lembram – não somente dentro de si, mas vez em quando um para o outro -, que não vão deixar se esvair. Você vai? Nunca. Nós somos eternos.

Tudo ainda é o mesmo


E, quando os cílios se movimentam e os lábios pronunciam as mesmas palavras de sempre, quando as mãos nos bolsos já não se movimentam, quando a lua à noite é apenas um satélite artificial refletindo uma luz que não é sua, quando os lóbulos das orelhas não estão mais frios, quando as pernas estão paradas, quando a fumaça do escapamento dos carros na rua já não significa mais que existe algo os puxando da realidade, eles continuam mudos.  Continuar lendo